terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Sou obrigado a assinar advertência? Veja o que diz a lei e seus direitos

 



Sou obrigado a assinar uma advertência no trabalho? Conheça os seus direitos

Receber uma advertência no ambiente de trabalho é, quase sempre, um momento de tensão e dúvida. Muitos trabalhadores acreditam que, ao assinar o documento, estão confessando uma culpa ou concordando com uma punição que consideram injusta. Por outro lado, o medo de sofrer uma demissão imediata por se recusar a assinar é uma preocupação constante que gera muita ansiedade.

Neste artigo, vamos esclarecer o que a lei diz sobre esse procedimento, quais são os limites do poder da empresa e como o empregado deve agir para proteger seus direitos sem comprometer sua postura profissional.

O que realmente significa a assinatura na advertência?

Um erro muito comum no cotidiano das empresas é acreditar que a assinatura no documento de advertência implica em uma confissão de erro. Juridicamente, o visto do empregado serve apenas para comprovar que ele tomou ciência do conteúdo do comunicado. Ou seja, você está apenas confirmando que foi informado sobre a insatisfação da empresa com determinado comportamento.

A advertência em si possui um caráter educativo e disciplinar. Ela serve para registrar que determinada conduta não está de acordo com as normas internas ou com o contrato de trabalho. O objetivo principal deve ser a correção de postura, e não a punição pura e simples. É importante notar que a lei não exige um modelo rígido para esse documento, mas ele deve ser claro quanto ao motivo da penalidade.

O direito de recusa e os procedimentos da empresa

O trabalhador tem o direito de se recusar a assinar qualquer documento com o qual não concorde. Ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo ou a validar informações que considera inverídicas. Contudo, é fundamental entender que a recusa da assinatura não anula a validade da advertência.

Caso o empregado se negue a assinar, a empresa geralmente adota o procedimento de colher a assinatura de duas testemunhas. Essas pessoas não precisam confirmar que o funcionário cometeu o erro, mas apenas que presenciaram o momento em que ele foi informado da advertência e se recusou a assinar. Com isso, o documento passa a ter validade jurídica para fins de histórico disciplinar, podendo fundamentar suspensões ou até uma futura demissão por justa causa em casos de reincidência.

Onde termina o poder da empresa e começa o abuso

Embora a empresa tenha o poder de organizar e disciplinar o trabalho, esse direito não é absoluto. A aplicação de uma advertência deve sempre respeitar a dignidade do trabalhador. Um detalhe que merece atenção especial é que o funcionário jamais pode ser advertido na frente de colegas ou clientes. O desrespeito verbal, gritos ou qualquer forma de exposição ao ridículo no momento da entrega do documento configuram abuso de poder e podem dar margem a pedidos de indenização por danos morais.

Além disso, a punição deve ser proporcional ao erro cometido. Aplicar uma advertência severa por um deslize irrelevante ou inexistente pode ser interpretado como perseguição, o que descaracteriza a finalidade educativa da medida.

Como agir de forma estratégica e segura

Se você considera a advertência injusta, em vez de apenas se recusar a assinar, existe uma alternativa mais estratégica: escrever sua própria versão no documento. Antes de assinar, você tem o direito de relatar brevemente que discorda dos termos e explicar o que realmente aconteceu. Esse registro manuscrito é uma prova valiosa em uma eventual discussão judicial futura.

Caso você sinta que está sendo alvo de punições frequentes sem justificativa real, é prudente buscar uma análise técnica sobre o caso. Muitas vezes, o excesso de advertências injustificadas é utilizado como estratégia para forçar um pedido de demissão, prática que deve ser combatida com orientação jurídica adequada.

TEXTO: RAYSSA PINTO FERREIRA