Os empregados de corretoras de seguros do Estado de São Paulo abrangidos pela Convenção Coletiva de Trabalho de 2026 têm uma série de direitos que vão além daqueles normalmente conhecidos da legislação trabalhista.
A CCT firmada entre o sindicato profissional dos securitários e o SINCOR-SP vigora de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2026, com data-base em 1º de janeiro. Ela alcança, em regra, os empregados das empresas representadas pelo sindicato patronal no Estado de São Paulo, excluindo expressamente aprendizes e estagiários de sua abrangência geral.
Entre os pontos mais importantes estão o reajuste salarial de 4%, pisos salariais específicos, vale-refeição de R$ 38,32 por dia trabalhado, adicional por tempo de serviço, regras próprias de jornada e horas extras, auxílio-creche, estabilidade próxima da aposentadoria, Dia do Securitário e direitos específicos no desligamento.
Reajuste salarial de 4% em 2026
A Convenção Coletiva determinou, a partir de 1º de janeiro de 2026, reajuste salarial de 4% sobre o salário vigente em dezembro de 2025.
Para empregados admitidos depois de 1º de janeiro de 2025, o reajuste pode ser proporcional ao número de meses trabalhados, sendo considerada como mês completo a fração igual ou superior a 15 dias.
Um detalhe importante é que, para quem recebe remuneração mista, composta por uma parte fixa e outra variável, a CCT estabelece que o reajuste incide apenas sobre a parte fixa da remuneração.
Como a convenção foi assinada depois do início de sua vigência, também foram previstas diferenças retroativas a janeiro de 2026. A norma determinou o pagamento ou crédito dessas diferenças até o quinto dia útil de junho de 2026, inclusive com a complementação das diferenças dos benefícios reajustados pela norma coletiva.
Assim, o empregado que não recebeu o reajuste ou as diferenças retroativas deve conferir seus demonstrativos de pagamento desde janeiro de 2026.
Qual é o piso salarial dos empregados de corretoras de seguros em 2026?
A CCT estabelece diferentes pisos conforme a atividade exercida.
O piso geral é de R$ 1.686,00 mensais, para jornada de 40 horas semanais, inclusive para pessoal de portaria, limpeza, vigilância, contínuos e funções assemelhadas.
Para empregados de call center, teleatendimento e funções semelhantes, o piso previsto é de R$ 1.744,00, considerando jornada proporcional de 36 horas semanais.
Já para quem exerce a função de Técnico de Seguros, o piso é de R$ 2.032,00.
A própria convenção determina que, caso o salário mínimo federal aplicável venha a superar o piso convencionado, deverá prevalecer o salário mínimo federal.
O holerite deve informar inclusive o valor do FGTS
Outro ponto interessante da convenção é a obrigação de a empresa fornecer ou disponibilizar ao empregado comprovante de pagamento com a discriminação dos valores recebidos e dos descontos efetuados.
A CCT determina ainda que conste nesse demonstrativo a importância relativa ao depósito do FGTS devido à conta vinculada do trabalhador.
Isso facilita a conferência mensal pelo empregado. Mesmo assim, é recomendável comparar a informação do holerite com os depósitos efetivamente registrados em sua conta vinculada do FGTS.
Quem substitui empregado dispensado pode ter proteção salarial
A convenção também estabelece uma regra específica para contratação destinada a ocupar a função de empregado dispensado sem justa causa.
Nesse caso, ao novo empregado deverá ser garantido salário igual ao do trabalhador de menor salário naquela função, desconsideradas as vantagens pessoais.
Essa previsão pode ser relevante principalmente quando há vários empregados desempenhando a mesma atividade, mas a empresa tenta contratar o substituto por remuneração inferior.
Promoção pode garantir aumento mínimo de 7%
A CCT estabelece que, quando o empregado for promovido para função em que não exista paradigma, deverá receber aumento salarial de pelo menos 7%.
Esse aumento deve ser registrado na Carteira de Trabalho e a norma coletiva determina que ele não seja compensável ou dedutível.
É uma regra especialmente importante porque uma mudança de cargo ou aumento de responsabilidades nem sempre vem acompanhada espontaneamente de reajuste salarial compatível.
Como ficam as horas extras?
A convenção estabelece jornada semanal de até 40 horas, em no máximo cinco dias, normalmente de segunda a sexta-feira, admitindo ajustes conforme a natureza da atividade.
Para as horas extraordinárias, a CCT prevê adicional de 55% para até duas horas e de 100% para as horas excedentes, observadas as condições estabelecidas pela própria norma coletiva.
Também é permitida a adoção de sistema de compensação de horas, desde que respeitada a legislação aplicável.
Por isso, empregados que trabalham habitualmente depois do expediente devem conferir não apenas a quantidade de horas registrada, mas também o percentual utilizado no pagamento ou a validade da compensação realizada.
Vale-refeição ou vale-alimentação de R$ 38,32 por dia
Para as empresas que não fornecem alimentação própria, a CCT estabelece vale-refeição ou vale-alimentação no valor de R$ 38,32 por dia trabalhado, sem custo para o empregado.
O benefício deve estar disponível até o primeiro dia útil do mês de utilização.
A convenção também permite ao empregado solicitar por escrito a conversão do vale-refeição em vale-alimentação, com antecedência mínima de 30 dias. A opção poderá ser modificada a cada quatro meses.
Existem exceções. A CCT dispensa, por exemplo, a concessão desse benefício às empresas que disponibilizem restaurante próprio ou de terceiros com refeição subsidiada. Também prevê exclusões para empregados que recebam remuneração superior a dez salários mínimos e para aqueles que cumpram expediente único com jornada reduzida de seis horas diárias, ressalvadas situações mais favoráveis já existentes.
Adicional por tempo de serviço: triénio
Um direito bastante específico da categoria é o adicional por tempo de serviço.
A cada período de três anos trabalhados na mesma empresa, contado da admissão ou readmissão, o empregado terá direito, segundo a CCT de 2026, a R$ 124,25 por mês.
O benefício é limitado a 30% do salário nominal do empregado e integra a remuneração para os efeitos legais.
A regra não se aplica a quem já receba vantagem proporcionalmente superior a título de adicional por tempo de serviço.
Por isso, quem possui vários anos de contrato deve conferir se todos os triénio devidos estão sendo considerados corretamente.
Direitos relacionados ao afastamento por doença
A CCT possui duas previsões que merecem atenção.
O trabalhador que tenha permanecido afastado por doença durante período contínuo igual ou superior a seis meses e, depois da alta médica, seja dispensado pela empresa, terá direito a uma indenização correspondente a uma vez e meia sua remuneração mensal, ressalvadas as hipóteses de justa causa e mútuo acordo.
Além disso, a convenção prevê proteção para determinados empregados que não tenham direito ao auxílio-doença previdenciário por não terem completado o período de carência exigido. Nessa hipótese, a norma estabelece pagamento pela empresa, durante 60 dias, nas condições e limites definidos na cláusula coletiva.
São situações em que a análise individual do afastamento e dos documentos previdenciários pode ser especialmente importante.
Auxílio-creche e auxílio-babá
A CCT também prevê reembolso de despesas com creche, maternal, pré-escola ou instituição semelhante para empregados que tenham a guarda dos filhos, inclusive adotivos, observadas as condições previstas na norma.
Para crianças de até seis meses, o reembolso das despesas com creche é integral.
Depois dos seis meses e até 5 anos, 11 meses e 29 dias, o reembolso previsto é de até R$ 281,64 mensais por filho.
Alternativamente, há previsão de auxílio-babá. Para crianças de até seis meses, o limite estabelecido é de R$ 563,28 por mês, independentemente do número de filhos. Após essa idade e até 5 anos, 11 meses e 29 dias, o limite é de R$ 281,64 mensais, também nas condições estabelecidas pela convenção.
Auxílio-creche e auxílio-babá não são cumulativos. No caso de babá, a CCT exige ainda comprovação do vínculo regular de emprego e do pagamento correspondente.
Estabilidade para quem está próximo da aposentadoria
A norma coletiva possui uma proteção importante para empregados antigos que estejam próximos de preencher os requisitos para aposentadoria.
Em determinadas condições, empregados com 15 anos ou mais de serviço na mesma empresa não poderão ser dispensados nos 12 meses anteriores à data em que adquiririam o direito à aposentadoria proporcional ou integral.
Mas existe uma exigência importante: o empregado deve comunicar formalmente ao empregador sua situação no período previsto pela própria convenção. A ausência dessa comunicação pode comprometer a proteção estabelecida na CCT.
A mesma cláusula ainda prevê, em determinadas condições, pagamento de um abono equivalente à última remuneração mensal quando empregado com 15 anos ou mais na empresa se desligar definitivamente por motivo exclusivo de aposentadoria.
Quem estiver próximo de se aposentar deve, portanto, ter especial cuidado antes de pedir demissão ou assinar documentos de desligamento.
Dia do Securitário é dia de repouso remunerado
A terceira segunda-feira do mês de outubro é reconhecida pela CCT como Dia do Securitário.
A data é considerada dia de repouso remunerado e computada como tempo de serviço para todos os efeitos legais.
Nos regimes de turnos ou plantões operacionais, a convenção permite que esse dia seja compensado em uma segunda ou sexta-feira útil, desde que a compensação não coincida com o início ou o término das férias.
Empregado estudante também possui proteção
O empregado estudante pode ter sua ausência abonada no dia de prova escolar obrigatória por lei.
Para isso, a CCT exige aviso prévio por escrito de 48 horas e posterior comprovação da finalidade da ausência.
A norma coletiva também amplia algumas ausências remuneradas, prevendo cinco dias consecutivos em situações como falecimento dos familiares especificados na convenção, casamento e nascimento de filho.
Regras para trabalho em home office
A convenção contém cláusula própria sobre teletrabalho ou home office.
A adoção desse regime pode ocorrer por aditivo ao contrato individual ou por acordo coletivo, devendo ser observadas as condições previstas na norma.
Entre elas estão o direito à desconexão e ao respeito aos períodos de refeição e descanso, regras sobre fornecimento e responsabilidade pelos equipamentos e definição por escrito das condições relativas à infraestrutura tecnológica.
A CCT também prevê prioridade para o teletrabalho aos empregados com deficiência e aos empregados que tenham filhos ou crianças sob guarda judicial de até quatro anos de idade.
As regras específicas são relevantes porque trabalhar de casa não significa ausência de limites contratuais ou liberdade irrestrita para exigir disponibilidade permanente do empregado.
Homologação da rescisão no sindicato
Nos casos de dispensa sem justa causa, pedido de demissão ou rescisão por comum acordo envolvendo empregado com mais de 12 meses de empresa, a CCT permite, por opção do trabalhador, que a homologação seja realizada no sindicato profissional.
Essa homologação pode inclusive ocorrer de forma remota.
O pagamento das verbas rescisórias continua sujeito ao prazo previsto na convenção e na legislação. A norma coletiva ainda disciplina prazo adicional para a realização da homologação e prevê consequência específica para o descumprimento dessas regras, ressalvadas as hipóteses em que o próprio trabalhador der causa ao atraso ou não compareça ao ato.
A homologação sindical pode ser particularmente útil quando o trabalhador possui dúvidas sobre valores, descontos, férias, comissões, triénio ou outras parcelas específicas da categoria.
Para compreender quais parcelas devem ser conferidas no desligamento, consulte também nosso artigo sobre como saber se suas verbas rescisórias estão corretas.
Existe indenização adicional para alguns empregados muito antigos
A CCT ainda mantém uma cláusula transitória prevendo que, durante sua vigência, determinados empregados dispensados sem justa causa recebam, além das demais verbas, uma indenização especial correspondente ao último salário nominal.
Apesar de a cláusula mencionar empregados com quatro anos ou mais de serviço, existe uma restrição muito relevante: ficam excluídos do benefício os empregados admitidos após 1º de janeiro de 2002.
Na prática, em 2026, essa indenização atinge apenas contratos bastante antigos.
E a contribuição assistencial?
A Convenção Coletiva de 2026 prevê desconto correspondente a um dia da remuneração, considerando salário e triénio, no mês de maio de 2026, a título de contribuição assistencial.
A própria CCT estabeleceu procedimento de oposição, indicando o período de 1º a 31 de janeiro de 2026 para a apresentação da carta de oposição nas condições previstas pela norma coletiva.
Como descontos sindicais podem envolver discussão sobre requisitos jurídicos, forma de oposição e circunstâncias particulares, eventual questionamento de desconto efetivamente realizado deve ser analisado a partir dos documentos do trabalhador e da regra vigente no caso concreto.
Como saber se a empresa está cumprindo a CCT?
O primeiro passo é comparar o contrato de trabalho e os pagamentos efetivamente realizados com a função e o tempo de serviço do empregado.
É importante conferir especialmente o salário de dezembro de 2025 e os salários pagos a partir de janeiro de 2026, eventual pagamento das diferenças retroativas, piso correspondente à função, triénio, vale-refeição, horas extras, promoções, depósitos de FGTS e demais benefícios aplicáveis.
Também devem ser preservados holerites, controles de jornada, extratos do FGTS, recibos de benefícios, comunicações da empresa, documentos relativos a afastamentos e eventual documentação de aposentadoria.
A existência de uma CCT significa que determinados direitos podem ser mais favoráveis do que a regra geral aplicável aos demais trabalhadores. Por isso, analisar somente a CLT pode não ser suficiente para identificar tudo o que é devido ao empregado.
Dúvidas frequentes
A CCT vale para qualquer pessoa que trabalhe com seguros?
Não necessariamente. A própria convenção delimita sua abrangência aos empregados das empresas representadas pelo SINCOR-SP estabelecidas no Estado de São Paulo, observadas as exceções previstas na norma. A atividade da empresa, seu enquadramento sindical e a função efetivamente exercida precisam ser considerados.
Quem recebe comissão também tem direito ao reajuste de 4%?
A convenção estabelece que, na remuneração mista composta por parte fixa e variável, o reajuste incide apenas sobre a parte fixa.
Quem trabalha há mais de três anos na corretora recebe triénio automaticamente?
A CCT prevê R$ 124,25 por cada período de três anos de serviço na mesma empresa, limitado a 30% do salário nominal, ressalvada a situação de quem já recebe vantagem proporcionalmente superior pelo mesmo motivo.
A empresa pode pagar menos de R$ 38,32 de vale-refeição por dia?
Para os empregados abrangidos pela cláusula, o valor convencionado em 2026 é de R$ 38,32 por dia trabalhado. Porém, a própria CCT prevê situações em que esse benefício não é exigido, como determinadas hipóteses de alimentação subsidiada e algumas categorias de empregados.
Quem está perto de se aposentar pode ser demitido?
A CCT possui estabilidade pré-aposentadoria, mas ela não se aplica a qualquer empregado próximo da aposentadoria. Entre os requisitos previstos estão 15 anos ou mais na mesma empresa, estar dentro do período protegido e realizar a comunicação formal exigida pela convenção.
A empresa é obrigada a fazer a rescisão no sindicato?
A cláusula prevê essa possibilidade, para empregados com mais de 12 meses, por opção do próprio trabalhador nas hipóteses indicadas pela CCT. A homologação pode inclusive ser realizada de forma remota.
Sobre a Ortega e Ieiri Advogados
O Ortega & Ieiri Advogados atua em Direito do Trabalho e mantém unidades de atendimento na Avenida Paulista, no Tatuapé e no Centro de Guarulhos. A análise de convenções e acordos coletivos faz parte da verificação dos direitos aplicáveis a cada relação de emprego, porque determinadas categorias possuem vantagens que não aparecem diretamente na regra geral da CLT.
Empregados de corretoras de seguros que tenham dúvidas sobre reajuste salarial, piso da categoria, triénio, horas extras, benefícios ou verbas de rescisão podem buscar orientação jurídica para conferir a CCT aplicável e os documentos do contrato de trabalho.





