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Ser dispensado e ouvir da empresa que as verbas rescisórias serão pagas "em duas, três ou quatro vezes" é uma situação que gera uma dúvida imediata: o empregador pode parcelar a rescisão porque está sem dinheiro?
Como regra, não. A CLT determina que os valores constantes do termo de rescisão sejam pagos em até 10 dias contados do término do contrato de trabalho. A dificuldade financeira da empresa, por si só, não autoriza a transferência desse problema ao empregado nem cria um direito de parcelar unilateralmente a rescisão.
Existe, porém, uma ressalva importante: a jurisprudência atual admite que acordo ou convenção coletiva de trabalho, negociados com o sindicato profissional, possam estabelecer forma diferente de pagamento em determinadas situações. Por isso, é preciso distinguir o parcelamento simplesmente imposto pela empresa de uma condição prevista em norma coletiva válida.
O artigo 477, § 6º, da CLT estabelece que o empregador deve entregar os documentos relativos ao término do contrato e efetuar o pagamento dos valores constantes do instrumento de rescisão até 10 dias contados do término do contrato de trabalho.
Essa regra se aplica independentemente de o empregado ter sido dispensado sem justa causa, ter pedido demissão ou de o contrato ter terminado por outra modalidade, observadas naturalmente as verbas que são devidas em cada tipo de desligamento.
Isso significa que, se a empresa calcula que deve R$ 8.000,00 de verbas rescisórias, a regra não é pagar R$ 2.000,00 no prazo e dividir os outros R$ 6.000,00 nos meses seguintes. O pagamento parcial não equivale, em princípio, à quitação tempestiva da rescisão.
O prazo legal existe justamente porque o trabalhador deixa de receber salário com o encerramento do contrato e normalmente precisa das verbas rescisórias para enfrentar o período de transição até um novo emprego.
A simples afirmação de que a empresa está passando por dificuldades financeiras não altera o prazo previsto na CLT.
Problemas de caixa, perda de clientes, queda de faturamento ou ausência momentânea de recursos fazem parte do risco da atividade empresarial. Eles podem explicar por que a empresa atrasou o pagamento, mas não significam automaticamente que o trabalhador seja obrigado a financiar esse problema mediante o recebimento parcelado de verbas que já deveriam ter sido quitadas.
Na prática, é relativamente comum o empregado receber uma proposta como:
"Vamos pagar sua rescisão em quatro parcelas porque a empresa não tem condições de pagar tudo agora."
Se não houver uma situação jurídica específica que autorize essa forma de pagamento, especialmente uma norma coletiva aplicável ao caso, o simples comunicado da empresa não modifica o prazo legal de 10 dias.
Esse é um ponto que merece cuidado.
O fato de o empregado assinar um documento preparado pela empresa não significa, automaticamente, que qualquer forma de parcelamento passe a ser válida ou que o prazo previsto no artigo 477 da CLT deixe de existir.
Há diferença entre um verdadeiro instrumento coletivo negociado pelo sindicato e um termo individual apresentado ao trabalhador no momento em que ele acabou de perder o emprego e precisa receber suas verbas rescisórias.
Historicamente, a Justiça do Trabalho já afastou acordos individuais utilizados para parcelar verbas rescisórias e reconheceu a incidência da multa pelo atraso. Em precedente da Subseção I Especializada em Dissídios Individuais do TST, por exemplo, foi considerada inválida transação extrajudicial destinada a postergar o pagamento das verbas rescisórias além do prazo legal.
Por isso, um empregado que assinou um termo de parcelamento não deve concluir imediatamente que perdeu qualquer possibilidade de questionamento. É necessário analisar exatamente o documento assinado, a existência ou não de norma coletiva, as circunstâncias da assinatura e os pagamentos efetivamente realizados.
Também é importante lembrar que o próprio artigo 477, § 2º, da CLT determina que o recibo de rescisão especifique as parcelas e seus valores, sendo a quitação válida em relação às parcelas discriminadas.
Sim. Esse é o principal cuidado para não transformar a regra geral em uma afirmação absoluta.
O Tribunal Superior do Trabalho passou a reconhecer a possibilidade de negociação coletiva sobre a forma e o prazo de pagamento das verbas rescisórias.
Em 2022, a Seção de Dissídios Coletivos do TST considerou válida cláusula de acordo coletivo que permitia o parcelamento das verbas rescisórias. O fundamento foi que essa matéria não está entre os direitos expressamente proibidos de negociação coletiva pelo artigo 611-B da CLT.
O entendimento ganhou ainda mais relevância posteriormente. Em março de 2025, a SBDI-I do TST reconheceu a validade de norma coletiva que estabelecia pagamento parcelado das verbas rescisórias, inclusive com data da primeira parcela diferente do prazo normal previsto no artigo 477, § 6º. O Tribunal considerou que a negociação tratava da forma e do prazo de pagamento, sem redução do montante devido ao trabalhador, aplicando a orientação do Supremo Tribunal Federal sobre a força da negociação coletiva.
Portanto, antes de afirmar que determinado parcelamento é irregular, deve-se verificar se existe acordo ou convenção coletiva aplicável à categoria e o que exatamente essa norma estabelece.
Não basta a empresa dizer que "o sindicato autorizou". É necessário conferir o instrumento coletivo, seu período de vigência, quais trabalhadores estão abrangidos, as condições estabelecidas e se a empresa efetivamente cumpriu aquilo que foi negociado.
Quando o empregador deixa de cumprir o prazo do artigo 477, § 6º, pode ser devida ao empregado a multa prevista no § 8º do mesmo dispositivo, salvo quando ficar comprovado que o próprio trabalhador deu causa à demora.
A CLT menciona multa equivalente ao salário do empregado. Em 2025, o Tribunal Superior do Trabalho fixou entendimento no Tema 142 dos recursos repetitivos de que essa multa deve considerar todas as parcelas de natureza salarial que compõem o salário, e não apenas o salário-base.
Assim, dependendo da composição da remuneração do trabalhador, adicionais e outras parcelas salariais habituais podem interferir na base da penalidade.
Para compreender melhor essa penalidade, consulte também nosso artigo sobre a multa da CLT pelo atraso no pagamento das verbas rescisórias.
Há ainda outra consequência possível quando a discussão chega à Justiça do Trabalho. Se existirem verbas rescisórias incontroversas e o empregador não as pagar no momento processual previsto pelo artigo 467 da CLT, essas parcelas podem sofrer acréscimo de 50%. Essa penalidade possui requisitos próprios e não deve ser confundida com a multa do artigo 477.
Não.
Imagine que a empresa faça o pagamento integral do valor indicado no termo de rescisão dentro do prazo de 10 dias, mas posteriormente a Justiça reconheça que o trabalhador também tinha direito a diferenças de horas extras que aumentariam reflexamente as verbas rescisórias.
Essa situação é diferente daquela em que a própria empresa reconhece que deve determinado valor e decide pagá-lo aos poucos.
Em 2025, o TST fixou, no Tema 164, que o pagamento parcial ou a menor dentro do prazo legal, quando as diferenças somente são reconhecidas posteriormente em juízo, não gera, por si só, a multa do artigo 477, § 8º.
Portanto, é necessário distinguir uma diferença descoberta posteriormente de um verdadeiro atraso ou parcelamento de valores que já eram reconhecidamente devidos no momento da rescisão.
Nem sempre recusar o dinheiro é a melhor decisão.
O trabalhador pode estar desempregado e precisar dos valores imediatamente. Receber uma parcela não significa necessariamente concordar com todos os aspectos jurídicos da forma de pagamento.
O mais importante é preservar a documentação.
Por exemplo, se a empresa informa por WhatsApp que a rescisão é de R$ 9.000,00 e que pagará três parcelas de R$ 3.000,00, essa conversa pode ajudar a demonstrar que a própria empregadora reconhecia o valor total e decidiu postergar parte do pagamento.
Comprovantes bancários também permitem identificar exatamente quando cada parcela foi depositada.
Por outro lado, o trabalhador deve ter cuidado antes de assinar documentos contendo declarações amplas de quitação, renúncia ou outras condições que não compreenda. Dependendo do tipo de documento e do contexto em que foi celebrado, seus efeitos jurídicos podem ser diferentes.
Imagine um empregado dispensado sem justa causa no dia 10 de outubro.
A empresa calcula R$ 12.000,00 de verbas rescisórias e comunica que não tem recursos suficientes para fazer o pagamento integral. Deposita R$ 3.000,00 no prazo legal e promete pagar os outros R$ 9.000,00 em três parcelas mensais.
Não existe acordo coletivo autorizando essa forma de pagamento.
Nesse cenário, o fato de a empresa ter depositado uma parte no prazo não significa que tenha necessariamente cumprido o artigo 477 da CLT. Há um valor reconhecido no momento da rescisão que deixou de ser quitado dentro dos 10 dias previstos em lei.
A situação seria diferente se houvesse norma coletiva válida aplicável àquele trabalhador estabelecendo expressamente o parcelamento e a empresa estivesse observando todas as condições negociadas.
É justamente por isso que casos aparentemente semelhantes podem ter resultados jurídicos diferentes.
Em uma situação de parcelamento ou atraso das verbas rescisórias, é recomendável preservar, principalmente, o termo de rescisão, comprovantes dos depósitos recebidos, extratos bancários, mensagens trocadas com a empresa, eventual proposta de parcelamento, documento que tenha sido solicitado para assinatura e informações sobre a convenção ou acordo coletivo da categoria.
Também é importante conferir a situação do FGTS. O Ministério do Trabalho esclarece, inclusive no funcionamento do FGTS Digital, que valores de FGTS relativos ao trabalhador desligado possuem regras próprias e que débitos anteriormente incluídos em parcelamento do empregador podem ter seu vencimento antecipado por causa da rescisão. Portanto, o fato de a empresa possuir um parcelamento de dívidas de FGTS não significa que possa simplesmente impedir o trabalhador desligado de receber os valores que deveriam estar disponíveis em razão da rescisão.
Para uma conferência mais ampla das parcelas devidas no encerramento do contrato, veja também nosso conteúdo sobre como saber se suas verbas rescisórias estão corretas.
Não.
O atraso pode produzir consequências trabalhistas específicas, especialmente a discussão sobre a multa do artigo 477, mas isso não significa que todo trabalhador que recebeu a rescisão fora do prazo tenha automaticamente direito a uma indenização adicional por dano moral.
Em 2025, o TST fixou no Tema 143 que a ausência ou o atraso no pagamento das verbas rescisórias, isoladamente, não configura dano moral automaticamente. Para haver indenização dessa natureza, deve existir prova de uma lesão concreta aos direitos da personalidade do trabalhador.
Isso não impede a análise de situações mais graves. Se o atraso tiver provocado consequências específicas e comprováveis, essas circunstâncias devem ser examinadas individualmente.
Como regra, não é essa a sistemática prevista na CLT. Os valores constantes do termo ou recibo de rescisão devem ser pagos dentro do prazo legal. O pagamento parcial pode caracterizar atraso quanto ao saldo restante. A situação deve ser analisada de forma diferente quando existir norma coletiva válida autorizando o parcelamento.
Não necessariamente. A concordância de outros trabalhadores não substitui a análise jurídica da situação. É necessário verificar se existe negociação coletiva, qual documento foi celebrado e quais condições foram estabelecidas.
O pagamento posterior não apaga automaticamente o fato de que determinados valores podem ter sido quitados fora do prazo legal. A eventual incidência da multa e os demais efeitos dependem das circunstâncias concretas, inclusive da existência de norma coletiva válida.
A recuperação judicial não transforma automaticamente o artigo 477 da CLT em uma autorização geral para parcelamento individual das rescisões. Entretanto, empresas submetidas a processos de insolvência ou reorganização podem envolver regras e situações jurídicas específicas. O caso precisa ser analisado considerando o momento da rescisão, a situação da empresa e eventuais decisões judiciais ou negociações coletivas existentes.
Sim. Essa é uma das primeiras verificações importantes atualmente. Além de confirmar se existe cláusula permitindo parcelamento, é preciso conferir se a norma realmente se aplica à categoria, à empresa, ao local e ao período da rescisão, além de verificar se foram cumpridas todas as condições previstas.
Não necessariamente. O efeito desse documento depende de sua natureza, conteúdo e das circunstâncias em que foi firmado. Um simples termo individual preparado pela empresa não deve ser confundido automaticamente com acordo ou convenção coletiva negociados pelo sindicato.
A Ortega & Ieiri Advogados atua na área trabalhista e previdenciária e mantém unidades físicas de atendimento na Avenida Paulista, no Tatuapé e no Centro de Guarulhos. A sociedade foi fundada em 2007 e produz conteúdo jurídico voltado à compreensão prática dos direitos de trabalhadores e segurados.
Quando existe parcelamento, atraso ou dúvida sobre os valores pagos na rescisão, a análise deve considerar o termo rescisório, as datas dos pagamentos, a forma do desligamento e, atualmente, também a eventual existência de acordo ou convenção coletiva aplicável. A orientação profissional pode ajudar a identificar se o procedimento adotado pela empresa respeitou as regras aplicáveis ao caso concreto.
O trabalhador que desenvolve uma doença relacionada ao trabalho pode ter direito à estabilidade provisória no emprego, inclusive quando se trata de depressão, transtorno de ansiedade, síndrome de burnout ou outro adoecimento de natureza psíquica.
Mas o diagnóstico, sozinho, não garante a estabilidade.
O ponto central é demonstrar que a doença foi causada pelo trabalho ou agravada de forma relevante pelas condições em que o trabalho era realizado. Em muitos casos também será necessário demonstrar a repercussão da doença sobre a capacidade para o trabalho.
A legislação equipara determinadas doenças profissionais e doenças do trabalho ao acidente de trabalho. O artigo 118 da Lei nº 8.213/1991 estabelece, na situação clássica de afastamento previdenciário acidentário, garantia de manutenção do contrato pelo período mínimo de 12 meses após a cessação do benefício. (Lei nº 8.213/1991)
Além disso, uma importante decisão do Tribunal Superior do Trabalho ampliou a proteção de trabalhadores cuja doença ocupacional somente é reconhecida depois da dispensa: o Tema 125 do TST, julgado sob o rito dos recursos repetitivos e já transitado em julgado, estabeleceu que não é indispensável ter ficado afastado por mais de 15 dias ou ter recebido auxílio-doença acidentário quando, após o término do contrato, for reconhecido o nexo causal ou concausal entre a doença e o trabalho. (Precedentes do TST)
A expressão doença ocupacional é utilizada de maneira ampla para abranger enfermidades relacionadas ao trabalho.
A Lei nº 8.213/1991 diferencia duas situações principais.
A doença profissional é aquela produzida ou desencadeada pelo exercício de determinada atividade profissional.
Já a doença do trabalho é adquirida ou desencadeada pelas condições especiais em que o serviço é realizado e possui relação direta com essas condições.
Para fins previdenciários e trabalhistas, essas doenças podem ser equiparadas ao acidente de trabalho. A legislação também reconhece a possibilidade de o trabalho não ser a única causa da doença. Se tiver contribuído diretamente para o adoecimento, agravamento ou redução da capacidade laboral, pode existir a chamada concausa. (Lei nº 8.213/1991)
Essa distinção é especialmente importante nos casos de doenças psíquicas.
Sim.
A depressão pode ser reconhecida como doença ocupacional quando houver elementos que demonstrem uma relação entre o adoecimento e o trabalho.
Isso não significa que todo empregado diagnosticado com depressão tenha estabilidade.
É preciso analisar o que ocorreu naquele contrato de trabalho.
Entre as circunstâncias que podem ser relevantes estão, por exemplo:
Uma pessoa pode desenvolver depressão por diversos fatores simultâneos, inclusive pessoais, familiares, sociais e profissionais. Por isso, não é necessário demonstrar necessariamente que o emprego foi a única causa da doença.
Se as condições de trabalho contribuíram de maneira efetiva para desencadear ou agravar a enfermidade, pode ser reconhecida a concausa ocupacional.
Esse é um ponto importante porque, na prática, doenças psíquicas raramente possuem uma causa única e facilmente isolável.
Não.
A própria legislação considera acidente relacionado ao trabalho aquele em que o trabalho, embora não tenha sido a causa exclusiva, tenha contribuído diretamente para a lesão, a redução da capacidade ou a necessidade de recuperação do trabalhador. (Lei nº 8.213/1991)
Imagine, por exemplo, uma pessoa que já apresentava alguma predisposição ou histórico de ansiedade.
Se, posteriormente, passa a trabalhar em um ambiente marcado por cobranças humilhantes, excesso de serviço e jornadas prolongadas e seu quadro se agrava de maneira significativa, a existência de condição anterior não elimina automaticamente a possibilidade de reconhecimento da doença ocupacional.
O que deverá ser investigado é se o trabalho teve participação relevante naquele agravamento.
Essa é uma das questões mais importantes atualmente.
Durante muitos anos, a situação mais conhecida era a do trabalhador que permanecia afastado por mais de 15 dias, recebia benefício previdenciário de natureza acidentária e, quando retornava ao trabalho, passava a ter estabilidade por 12 meses.
Essa continua sendo uma situação típica prevista no artigo 118 da Lei nº 8.213/1991. (Lei nº 8.213/1991)
Entretanto, o TST consolidou uma proteção importante para situações em que a doença somente é reconhecida posteriormente.
No Tema 125, o Tribunal Superior do Trabalho estabeleceu que, para o reconhecimento da garantia de emprego, não é necessário o afastamento superior a 15 dias nem a percepção de auxílio-doença acidentário quando, após a cessação do contrato, for reconhecido o nexo causal ou concausal entre a doença ocupacional e as atividades realizadas durante a relação de emprego. (Tema 125 do TST)
Isso é particularmente relevante em casos de depressão, burnout e outras doenças cujo diagnóstico ou relação com o trabalho pode ficar mais evidente somente depois da dispensa.
Dependendo das circunstâncias, sim.
A dispensa não impede, por si só, que posteriormente seja demonstrado que o trabalhador já estava acometido por uma doença ocupacional relacionada às atividades realizadas durante o contrato.
Essa possibilidade é expressamente contemplada pela jurisprudência do TST e foi reforçada pelo Tema 125.
Portanto, situações como estas precisam ser analisadas com cuidado:
o trabalhador começa a apresentar sintomas durante o contrato, mas continua trabalhando;
é dispensado sem justa causa;
pouco tempo depois recebe diagnóstico médico;
e a investigação médica e as demais provas demonstram que o trabalho causou ou agravou a doença.
Nessa hipótese, a inexistência de um afastamento previdenciário anterior não encerra a discussão sobre a estabilidade.
Também não significa necessariamente que o trabalhador perdeu qualquer possibilidade de discutir a natureza ocupacional da doença.
A classificação administrativa realizada pelo INSS é uma prova importante, mas a existência do nexo entre doença e trabalho pode ser discutida posteriormente.
O próprio entendimento firmado no Tema 125 do TST deixa claro que a ausência de recebimento do benefício acidentário não impede, por si só, a garantia provisória de emprego quando o nexo causal ou concausal é reconhecido posteriormente. (Tema 125 do TST)
Por isso, um trabalhador que recebeu benefício previdenciário comum não deve concluir automaticamente que sua doença jamais poderá ser considerada ocupacional.
É preciso analisar as condições concretas do trabalho e as provas médicas e profissionais existentes.
Este costuma ser o ponto mais delicado desses processos.
Não basta demonstrar que existe depressão. É necessário relacionar o quadro clínico às condições em que o trabalho era prestado.
A prova pode ser formada pela combinação de diversos elementos, como:
Nenhuma dessas provas deve ser analisada isoladamente.
Um relatório médico pode demonstrar a existência da doença. Uma testemunha pode explicar como funcionava o ambiente de trabalho. Mensagens podem comprovar cobranças. Registros de horário podem revelar jornadas prolongadas.
O conjunto dessas informações é que permite reconstruir o que efetivamente aconteceu.
A Comunicação de Acidente de Trabalho é um documento importante, mas sua ausência não significa automaticamente que a doença não seja ocupacional.
A empresa possui obrigação legal de comunicar o acidente de trabalho nas situações previstas em lei. Se ela não fizer a comunicação, a Lei nº 8.213/1991 permite que a própria pessoa acidentada, seus dependentes, o sindicato, o médico assistente ou uma autoridade pública formalizem a CAT. (Lei nº 8.213/1991)
Além disso, a discussão judicial sobre o nexo entre a doença e o trabalho não depende exclusivamente da existência da CAT.
Desde 26 de maio de 2026, a nova redação do capítulo 1.5 da NR-1 está em vigor e passou a tratar expressamente dos fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.
O Ministério do Trabalho e Emprego esclarece que essa avaliação deve considerar as condições e a organização do trabalho, buscando identificar fatores que possam representar riscos à saúde dos trabalhadores. (NR-1 do Ministério do Trabalho e Emprego)
Essa mudança é relevante para situações envolvendo adoecimento mental, mas precisa ser compreendida corretamente.
A existência de riscos psicossociais na empresa não significa automaticamente que todo trabalhador diagnosticado com depressão ou ansiedade tenha doença ocupacional ou estabilidade.
Da mesma forma, a NR-1 não criou uma nova estabilidade específica para doenças mentais.
A importância da norma está principalmente na prevenção e no gerenciamento dos riscos presentes no ambiente e na organização do trabalho. Em uma discussão concreta sobre adoecimento ocupacional, a forma como a empresa identificava, avaliava e tratava esses riscos pode integrar o conjunto de elementos analisados.
A estabilidade acidentária não deve ser entendida como uma impossibilidade absoluta de encerramento do contrato em qualquer situação.
Ela funciona essencialmente como uma garantia contra a dispensa sem justa causa durante o período protegido.
Situações excepcionais, como eventual prática de falta grave pelo empregado, possuem disciplina própria e precisam ser analisadas individualmente.
Quando a dispensa ocorreu durante o período em que deveria existir garantia de emprego, uma das consequências possíveis é a reintegração, caso o período estabilitário ainda esteja em curso.
Se, quando a situação é julgada, o período de estabilidade já tiver terminado, a jurisprudência do TST admite a conversão da garantia em indenização correspondente ao período protegido.
A Súmula 396 do TST estabelece que, esgotado o período de estabilidade, não há reintegração, mas são devidos os valores correspondentes ao período compreendido entre a dispensa e o término da estabilidade. (Jurisprudência do TST)
A consequência concreta, entretanto, depende das particularidades do processo e do período efetivamente reconhecido.
Imagine uma trabalhadora que, durante vários meses, passa a cumprir jornadas extensas e sofrer cobranças humilhantes de sua chefia.
Ela começa a apresentar insônia, crises de choro, ansiedade e queda importante de rendimento. Procura atendimento médico, mas continua trabalhando.
Algum tempo depois é dispensada sem justa causa.
Após a dispensa, seu quadro piora e ela inicia acompanhamento psiquiátrico. Durante a investigação médica e posteriormente em perícia judicial, são encontrados elementos indicando que as condições de trabalho tiveram participação relevante no desenvolvimento ou agravamento da depressão.
O fato de ela não ter recebido anteriormente um benefício acidentário não elimina automaticamente a possibilidade de reconhecimento da estabilidade.
A questão central será demonstrar a doença, sua repercussão e principalmente o nexo causal ou concausal com o trabalho.
Nos casos envolvendo adoecimento psíquico, parte importante das provas pode desaparecer com o término do contrato.
Mensagens podem ser apagadas, contas corporativas podem ser bloqueadas e o trabalhador pode perder acesso a documentos que demonstravam sua rotina.
Por isso, quem começa a apresentar problemas de saúde que acredita estarem relacionados ao trabalho deve preservar, de maneira lícita, documentos que já estejam legitimamente em sua posse, como exames, atestados, relatórios médicos, comunicações profissionais e registros relacionados à jornada e às condições do serviço.
Também é importante relatar corretamente aos profissionais de saúde o histórico dos sintomas e as circunstâncias em que eles surgiram.
Isso não significa produzir artificialmente uma prova contra a empresa. Significa apenas preservar informações existentes que poderão ser importantes para compreender a origem do adoecimento.
Pode, desde que sejam preenchidos os requisitos para o reconhecimento da doença ocupacional e da garantia provisória de emprego. O simples diagnóstico de burnout não gera estabilidade automática. É necessário analisar sua relação com o trabalho e as consequências do adoecimento.
Sim. Assim como a depressão, um transtorno de ansiedade pode ter relação causal ou concausal com o trabalho. Essa relação precisa ser demonstrada no caso concreto.
Não necessariamente. Uma doença preexistente não exclui automaticamente a possibilidade de o trabalho ter provocado seu agravamento. Nesses casos, a discussão costuma envolver a existência de concausa.
Não necessariamente. A CAT é uma prova relevante, mas sua inexistência não impede por si só o reconhecimento judicial da doença ocupacional. A legislação também permite que outras pessoas ou entidades formalizem a comunicação quando a empresa não o fizer. (Lei nº 8.213/1991)
Pode haver essa possibilidade. O Tema 125 do TST estabeleceu que o afastamento superior a 15 dias e o recebimento de benefício acidentário não são indispensáveis quando, depois do término do contrato, é reconhecido o nexo causal ou concausal entre a doença ocupacional e o trabalho. (Precedentes do TST)
Ele pode ser uma prova muito importante, mas a existência do nexo ocupacional costuma depender da análise do conjunto probatório. Em processo judicial, também pode ser realizada perícia médica para investigar a doença, a incapacidade e sua possível relação com o trabalho.
O encerramento do período estabilitário não significa automaticamente que desapareçam todas as consequências da dispensa ocorrida durante esse período. A jurisprudência do TST admite indenização substitutiva quando a reintegração já não é possível porque a estabilidade terminou. (Jurisprudência do TST)
Fundado em 2007, o Ortega & Ieiri Advogados atua nas áreas trabalhista e previdenciária e mantém três unidades físicas de atendimento na Grande São Paulo, localizadas na Avenida Paulista, no Tatuapé e no Centro de Guarulhos.
Casos envolvendo doença ocupacional e saúde mental exigem análise individual do histórico médico, das condições de trabalho e das provas disponíveis. Quando houver dúvida sobre a relação entre o adoecimento, a dispensa e uma possível estabilidade provisória, a documentação pode ser analisada por profissional especializado para verificar quais direitos efetivamente se aplicam à situação concreta.
Os empregados de corretoras de seguros do Estado de São Paulo abrangidos pela Convenção Coletiva de Trabalho de 2026 têm uma série de direitos que vão além daqueles normalmente conhecidos da legislação trabalhista.
A CCT firmada entre o sindicato profissional dos securitários e o SINCOR-SP vigora de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2026, com data-base em 1º de janeiro. Ela alcança, em regra, os empregados das empresas representadas pelo sindicato patronal no Estado de São Paulo, excluindo expressamente aprendizes e estagiários de sua abrangência geral.
Entre os pontos mais importantes estão o reajuste salarial de 4%, pisos salariais específicos, vale-refeição de R$ 38,32 por dia trabalhado, adicional por tempo de serviço, regras próprias de jornada e horas extras, auxílio-creche, estabilidade próxima da aposentadoria, Dia do Securitário e direitos específicos no desligamento.
A Convenção Coletiva determinou, a partir de 1º de janeiro de 2026, reajuste salarial de 4% sobre o salário vigente em dezembro de 2025.
Para empregados admitidos depois de 1º de janeiro de 2025, o reajuste pode ser proporcional ao número de meses trabalhados, sendo considerada como mês completo a fração igual ou superior a 15 dias.
Um detalhe importante é que, para quem recebe remuneração mista, composta por uma parte fixa e outra variável, a CCT estabelece que o reajuste incide apenas sobre a parte fixa da remuneração.
Como a convenção foi assinada depois do início de sua vigência, também foram previstas diferenças retroativas a janeiro de 2026. A norma determinou o pagamento ou crédito dessas diferenças até o quinto dia útil de junho de 2026, inclusive com a complementação das diferenças dos benefícios reajustados pela norma coletiva.
Assim, o empregado que não recebeu o reajuste ou as diferenças retroativas deve conferir seus demonstrativos de pagamento desde janeiro de 2026.
A CCT estabelece diferentes pisos conforme a atividade exercida.
O piso geral é de R$ 1.686,00 mensais, para jornada de 40 horas semanais, inclusive para pessoal de portaria, limpeza, vigilância, contínuos e funções assemelhadas.
Para empregados de call center, teleatendimento e funções semelhantes, o piso previsto é de R$ 1.744,00, considerando jornada proporcional de 36 horas semanais.
Já para quem exerce a função de Técnico de Seguros, o piso é de R$ 2.032,00.
A própria convenção determina que, caso o salário mínimo federal aplicável venha a superar o piso convencionado, deverá prevalecer o salário mínimo federal.
Outro ponto interessante da convenção é a obrigação de a empresa fornecer ou disponibilizar ao empregado comprovante de pagamento com a discriminação dos valores recebidos e dos descontos efetuados.
A CCT determina ainda que conste nesse demonstrativo a importância relativa ao depósito do FGTS devido à conta vinculada do trabalhador.
Isso facilita a conferência mensal pelo empregado. Mesmo assim, é recomendável comparar a informação do holerite com os depósitos efetivamente registrados em sua conta vinculada do FGTS.
A convenção também estabelece uma regra específica para contratação destinada a ocupar a função de empregado dispensado sem justa causa.
Nesse caso, ao novo empregado deverá ser garantido salário igual ao do trabalhador de menor salário naquela função, desconsideradas as vantagens pessoais.
Essa previsão pode ser relevante principalmente quando há vários empregados desempenhando a mesma atividade, mas a empresa tenta contratar o substituto por remuneração inferior.
A CCT estabelece que, quando o empregado for promovido para função em que não exista paradigma, deverá receber aumento salarial de pelo menos 7%.
Esse aumento deve ser registrado na Carteira de Trabalho e a norma coletiva determina que ele não seja compensável ou dedutível.
É uma regra especialmente importante porque uma mudança de cargo ou aumento de responsabilidades nem sempre vem acompanhada espontaneamente de reajuste salarial compatível.
A convenção estabelece jornada semanal de até 40 horas, em no máximo cinco dias, normalmente de segunda a sexta-feira, admitindo ajustes conforme a natureza da atividade.
Para as horas extraordinárias, a CCT prevê adicional de 55% para até duas horas e de 100% para as horas excedentes, observadas as condições estabelecidas pela própria norma coletiva.
Também é permitida a adoção de sistema de compensação de horas, desde que respeitada a legislação aplicável.
Por isso, empregados que trabalham habitualmente depois do expediente devem conferir não apenas a quantidade de horas registrada, mas também o percentual utilizado no pagamento ou a validade da compensação realizada.
Para as empresas que não fornecem alimentação própria, a CCT estabelece vale-refeição ou vale-alimentação no valor de R$ 38,32 por dia trabalhado, sem custo para o empregado.
O benefício deve estar disponível até o primeiro dia útil do mês de utilização.
A convenção também permite ao empregado solicitar por escrito a conversão do vale-refeição em vale-alimentação, com antecedência mínima de 30 dias. A opção poderá ser modificada a cada quatro meses.
Existem exceções. A CCT dispensa, por exemplo, a concessão desse benefício às empresas que disponibilizem restaurante próprio ou de terceiros com refeição subsidiada. Também prevê exclusões para empregados que recebam remuneração superior a dez salários mínimos e para aqueles que cumpram expediente único com jornada reduzida de seis horas diárias, ressalvadas situações mais favoráveis já existentes.
Um direito bastante específico da categoria é o adicional por tempo de serviço.
A cada período de três anos trabalhados na mesma empresa, contado da admissão ou readmissão, o empregado terá direito, segundo a CCT de 2026, a R$ 124,25 por mês.
O benefício é limitado a 30% do salário nominal do empregado e integra a remuneração para os efeitos legais.
A regra não se aplica a quem já receba vantagem proporcionalmente superior a título de adicional por tempo de serviço.
Por isso, quem possui vários anos de contrato deve conferir se todos os triénio devidos estão sendo considerados corretamente.
A CCT possui duas previsões que merecem atenção.
O trabalhador que tenha permanecido afastado por doença durante período contínuo igual ou superior a seis meses e, depois da alta médica, seja dispensado pela empresa, terá direito a uma indenização correspondente a uma vez e meia sua remuneração mensal, ressalvadas as hipóteses de justa causa e mútuo acordo.
Além disso, a convenção prevê proteção para determinados empregados que não tenham direito ao auxílio-doença previdenciário por não terem completado o período de carência exigido. Nessa hipótese, a norma estabelece pagamento pela empresa, durante 60 dias, nas condições e limites definidos na cláusula coletiva.
São situações em que a análise individual do afastamento e dos documentos previdenciários pode ser especialmente importante.
A CCT também prevê reembolso de despesas com creche, maternal, pré-escola ou instituição semelhante para empregados que tenham a guarda dos filhos, inclusive adotivos, observadas as condições previstas na norma.
Para crianças de até seis meses, o reembolso das despesas com creche é integral.
Depois dos seis meses e até 5 anos, 11 meses e 29 dias, o reembolso previsto é de até R$ 281,64 mensais por filho.
Alternativamente, há previsão de auxílio-babá. Para crianças de até seis meses, o limite estabelecido é de R$ 563,28 por mês, independentemente do número de filhos. Após essa idade e até 5 anos, 11 meses e 29 dias, o limite é de R$ 281,64 mensais, também nas condições estabelecidas pela convenção.
Auxílio-creche e auxílio-babá não são cumulativos. No caso de babá, a CCT exige ainda comprovação do vínculo regular de emprego e do pagamento correspondente.
A norma coletiva possui uma proteção importante para empregados antigos que estejam próximos de preencher os requisitos para aposentadoria.
Em determinadas condições, empregados com 15 anos ou mais de serviço na mesma empresa não poderão ser dispensados nos 12 meses anteriores à data em que adquiririam o direito à aposentadoria proporcional ou integral.
Mas existe uma exigência importante: o empregado deve comunicar formalmente ao empregador sua situação no período previsto pela própria convenção. A ausência dessa comunicação pode comprometer a proteção estabelecida na CCT.
A mesma cláusula ainda prevê, em determinadas condições, pagamento de um abono equivalente à última remuneração mensal quando empregado com 15 anos ou mais na empresa se desligar definitivamente por motivo exclusivo de aposentadoria.
Quem estiver próximo de se aposentar deve, portanto, ter especial cuidado antes de pedir demissão ou assinar documentos de desligamento.
A terceira segunda-feira do mês de outubro é reconhecida pela CCT como Dia do Securitário.
A data é considerada dia de repouso remunerado e computada como tempo de serviço para todos os efeitos legais.
Nos regimes de turnos ou plantões operacionais, a convenção permite que esse dia seja compensado em uma segunda ou sexta-feira útil, desde que a compensação não coincida com o início ou o término das férias.
O empregado estudante pode ter sua ausência abonada no dia de prova escolar obrigatória por lei.
Para isso, a CCT exige aviso prévio por escrito de 48 horas e posterior comprovação da finalidade da ausência.
A norma coletiva também amplia algumas ausências remuneradas, prevendo cinco dias consecutivos em situações como falecimento dos familiares especificados na convenção, casamento e nascimento de filho.
A convenção contém cláusula própria sobre teletrabalho ou home office.
A adoção desse regime pode ocorrer por aditivo ao contrato individual ou por acordo coletivo, devendo ser observadas as condições previstas na norma.
Entre elas estão o direito à desconexão e ao respeito aos períodos de refeição e descanso, regras sobre fornecimento e responsabilidade pelos equipamentos e definição por escrito das condições relativas à infraestrutura tecnológica.
A CCT também prevê prioridade para o teletrabalho aos empregados com deficiência e aos empregados que tenham filhos ou crianças sob guarda judicial de até quatro anos de idade.
As regras específicas são relevantes porque trabalhar de casa não significa ausência de limites contratuais ou liberdade irrestrita para exigir disponibilidade permanente do empregado.
Nos casos de dispensa sem justa causa, pedido de demissão ou rescisão por comum acordo envolvendo empregado com mais de 12 meses de empresa, a CCT permite, por opção do trabalhador, que a homologação seja realizada no sindicato profissional.
Essa homologação pode inclusive ocorrer de forma remota.
O pagamento das verbas rescisórias continua sujeito ao prazo previsto na convenção e na legislação. A norma coletiva ainda disciplina prazo adicional para a realização da homologação e prevê consequência específica para o descumprimento dessas regras, ressalvadas as hipóteses em que o próprio trabalhador der causa ao atraso ou não compareça ao ato.
A homologação sindical pode ser particularmente útil quando o trabalhador possui dúvidas sobre valores, descontos, férias, comissões, triénio ou outras parcelas específicas da categoria.
Para compreender quais parcelas devem ser conferidas no desligamento, consulte também nosso artigo sobre como saber se suas verbas rescisórias estão corretas.
A CCT ainda mantém uma cláusula transitória prevendo que, durante sua vigência, determinados empregados dispensados sem justa causa recebam, além das demais verbas, uma indenização especial correspondente ao último salário nominal.
Apesar de a cláusula mencionar empregados com quatro anos ou mais de serviço, existe uma restrição muito relevante: ficam excluídos do benefício os empregados admitidos após 1º de janeiro de 2002.
Na prática, em 2026, essa indenização atinge apenas contratos bastante antigos.
A Convenção Coletiva de 2026 prevê desconto correspondente a um dia da remuneração, considerando salário e triénio, no mês de maio de 2026, a título de contribuição assistencial.
A própria CCT estabeleceu procedimento de oposição, indicando o período de 1º a 31 de janeiro de 2026 para a apresentação da carta de oposição nas condições previstas pela norma coletiva.
Como descontos sindicais podem envolver discussão sobre requisitos jurídicos, forma de oposição e circunstâncias particulares, eventual questionamento de desconto efetivamente realizado deve ser analisado a partir dos documentos do trabalhador e da regra vigente no caso concreto.
O primeiro passo é comparar o contrato de trabalho e os pagamentos efetivamente realizados com a função e o tempo de serviço do empregado.
É importante conferir especialmente o salário de dezembro de 2025 e os salários pagos a partir de janeiro de 2026, eventual pagamento das diferenças retroativas, piso correspondente à função, triénio, vale-refeição, horas extras, promoções, depósitos de FGTS e demais benefícios aplicáveis.
Também devem ser preservados holerites, controles de jornada, extratos do FGTS, recibos de benefícios, comunicações da empresa, documentos relativos a afastamentos e eventual documentação de aposentadoria.
A existência de uma CCT significa que determinados direitos podem ser mais favoráveis do que a regra geral aplicável aos demais trabalhadores. Por isso, analisar somente a CLT pode não ser suficiente para identificar tudo o que é devido ao empregado.
Não necessariamente. A própria convenção delimita sua abrangência aos empregados das empresas representadas pelo SINCOR-SP estabelecidas no Estado de São Paulo, observadas as exceções previstas na norma. A atividade da empresa, seu enquadramento sindical e a função efetivamente exercida precisam ser considerados.
A convenção estabelece que, na remuneração mista composta por parte fixa e variável, o reajuste incide apenas sobre a parte fixa.
A CCT prevê R$ 124,25 por cada período de três anos de serviço na mesma empresa, limitado a 30% do salário nominal, ressalvada a situação de quem já recebe vantagem proporcionalmente superior pelo mesmo motivo.
Para os empregados abrangidos pela cláusula, o valor convencionado em 2026 é de R$ 38,32 por dia trabalhado. Porém, a própria CCT prevê situações em que esse benefício não é exigido, como determinadas hipóteses de alimentação subsidiada e algumas categorias de empregados.
A CCT possui estabilidade pré-aposentadoria, mas ela não se aplica a qualquer empregado próximo da aposentadoria. Entre os requisitos previstos estão 15 anos ou mais na mesma empresa, estar dentro do período protegido e realizar a comunicação formal exigida pela convenção.
A cláusula prevê essa possibilidade, para empregados com mais de 12 meses, por opção do próprio trabalhador nas hipóteses indicadas pela CCT. A homologação pode inclusive ser realizada de forma remota.
O Ortega & Ieiri Advogados atua em Direito do Trabalho e mantém unidades de atendimento na Avenida Paulista, no Tatuapé e no Centro de Guarulhos. A análise de convenções e acordos coletivos faz parte da verificação dos direitos aplicáveis a cada relação de emprego, porque determinadas categorias possuem vantagens que não aparecem diretamente na regra geral da CLT.
Empregados de corretoras de seguros que tenham dúvidas sobre reajuste salarial, piso da categoria, triénio, horas extras, benefícios ou verbas de rescisão podem buscar orientação jurídica para conferir a CCT aplicável e os documentos do contrato de trabalho.
Em regra, sim. A empresa pode determinar que o empregado que trabalha em regime de teletrabalho ou home office retorne ao trabalho presencial, mesmo sem a concordância do trabalhador. Porém, essa possibilidade não é ilimitada: a CLT exige prazo mínimo de transição de 15 dias e o registro da alteração em aditivo contratual. Além disso, determinadas situações pessoais, contratuais ou coletivas podem modificar a análise.
A regra está no artigo 75-C, § 2º, da CLT, que permite expressamente a alteração do teletrabalho para o regime presencial por determinação do empregador. Já o caminho inverso é diferente: para transformar o trabalho presencial em teletrabalho, a lei exige mútuo acordo entre empregado e empregador.
Isso significa que o empregado normalmente não possui um direito automático de permanecer indefinidamente em home office apenas porque trabalha dessa forma há meses ou anos. Mas também não significa que qualquer ordem de retorno seja necessariamente regular.
Para determinar a passagem do teletrabalho para o presencial, não é necessária, em princípio, a concordância do empregado.
A própria CLT criou uma regra específica permitindo que o empregador determine essa mudança. A legislação exige, entretanto, duas providências importantes: concessão de prazo de transição de pelo menos 15 dias e registro da alteração em aditivo ao contrato de trabalho.
É justamente nesse ponto que existe uma diferença importante.
Se uma pessoa trabalha presencialmente e pretende passar para o home office, a alteração depende de acordo entre as partes. Se ela já está em teletrabalho e a empresa pretende restabelecer o trabalho presencial, a lei permite que o empregador tome essa decisão unilateralmente.
A Justiça do Trabalho já reconheceu essa distinção. O TRT da 2ª Região, por exemplo, decidiu que a determinação de retorno ao trabalho presencial está inserida no poder diretivo do empregador e que a regra específica do artigo 75-C, § 2º, da CLT permite a alteração sem necessidade de consentimento do trabalhador.
A CLT estabelece um prazo mínimo de transição de 15 dias.
Assim, uma comunicação feita hoje para que o empregado abandone imediatamente o home office e compareça presencialmente no dia seguinte não corresponde ao procedimento previsto no artigo 75-C, § 2º.
Esse período existe justamente para permitir alguma reorganização da vida do trabalhador. Quem trabalha remotamente pode precisar ajustar transporte, cuidados com filhos, horários familiares e outras questões que foram organizadas durante o período de teletrabalho.
A empresa também deve registrar a mudança em aditivo contratual. A ausência dessa formalização representa descumprimento de uma exigência prevista expressamente na CLT, embora as consequências jurídicas devam ser avaliadas conforme as circunstâncias de cada contrato.
O contrato e os aditivos assinados pelo empregado precisam ser examinados antes de concluir que a empresa possui liberdade absoluta para alterar o regime.
A existência de uma cláusula simplesmente informando que o empregado exerce teletrabalho não elimina, por si só, a possibilidade prevista no artigo 75-C, § 2º, da CLT.
A situação pode ser diferente, entretanto, quando houver alguma garantia contratual específica, norma coletiva, regulamento interno da empresa ou condição mais favorável estabelecendo regras próprias para a manutenção ou para o encerramento do trabalho remoto.
Por isso, não basta verificar se aparece no contrato a expressão “home office”. É preciso compreender exatamente o que foi pactuado e se existem regras complementares aplicáveis àquele trabalhador.
Para compreender outras questões relacionadas a essa modalidade de trabalho, consulte também nosso artigo sobre direitos do funcionário em home office.
Esse é um dos pontos que mais merecem atenção.
Imagine um empregado contratado para trabalhar em São Paulo que, depois de começar o home office, decide morar no interior ou até mesmo em outro Estado. Anos depois, a empresa determina o retorno ao escritório de São Paulo.
A CLT trata expressamente dessa situação. Quando o próprio empregado opta por realizar o teletrabalho fora da localidade prevista no contrato, o empregador, em regra, não é responsável pelas despesas decorrentes do retorno ao trabalho presencial, salvo se houver disposição diferente entre as partes.
Portanto, mudar de cidade durante o home office não garante ao trabalhador o direito de continuar remotamente e também não transfere automaticamente para a empresa os custos necessários para retornar à localidade originalmente prevista.
Mas há uma distinção importante.
Uma coisa é o trabalhador decidir espontaneamente morar longe da localidade contratual. Outra é a própria empresa pretender, junto com o retorno presencial, exigir trabalho em localidade diferente daquela estabelecida no contrato.
Nesse segundo cenário, a discussão deixa de envolver apenas teletrabalho. Podem entrar em análise também as regras da CLT sobre transferência do empregado para outra localidade, especialmente quando a mudança exige alteração de domicílio. O artigo 469 da CLT estabelece limitações específicas para esse tipo de transferência.
O artigo 75-C não deve ser interpretado como autorização genérica para modificar também, sem análise das demais regras trabalhistas, a cidade ou localidade contratual do trabalhador.
Não automaticamente, mas essa circunstância pode ser juridicamente relevante.
O artigo 75-F da CLT determina que os empregadores deem prioridade aos empregados com deficiência e aos empregados com filhos ou crianças sob guarda judicial de até quatro anos de idade na alocação em vagas para atividades que possam ser realizadas por teletrabalho.
A norma fala em prioridade. Ela não estabelece que todo trabalhador nessas condições tenha direito absoluto ao home office independentemente da atividade, da existência de vagas ou das circunstâncias da empresa.
Mesmo assim, não é uma regra que possa simplesmente ser ignorada.
Em decisão divulgada pelo TRT da 3ª Região, uma empregada dos Correios com filho menor de quatro anos conseguiu permanecer em teletrabalho. O Tribunal considerou, além do artigo 75-F da CLT, a existência de regulamento interno da própria empresa que concedia proteção ainda mais favorável, o bom desempenho da trabalhadora no regime remoto e a ausência de demonstração de prejuízo concreto para o empregador. O julgamento deixou claro que, embora exista poder empresarial para determinar o retorno, ele pode encontrar limites nas circunstâncias específicas do caso.
Essa distinção é importante: prioridade para teletrabalho não é o mesmo que direito absoluto ao teletrabalho, mas pode fornecer fundamento relevante quando efetivamente existem funções e vagas compatíveis com essa modalidade.
Também não existe uma resposta única para todos os trabalhadores.
Uma doença ou condição de saúde não transforma automaticamente o home office em um direito permanente. Por outro lado, situações médicas comprovadas, trabalhadores com deficiência, limitações funcionais e necessidades específicas de adaptação podem exigir uma análise muito mais cuidadosa antes da determinação de retorno.
Nessas situações, não se deve examinar apenas o artigo 75-C isoladamente. Podem existir questões relacionadas à saúde ocupacional, acessibilidade, adaptação razoável, proteção contra discriminação, regulamentos internos e recomendações médicas.
Por isso, quando o problema não é simplesmente uma preferência pelo trabalho remoto, mas uma condição concreta de saúde ou deficiência, os documentos médicos e as características da atividade exercida se tornam particularmente importantes.
Não necessariamente.
A legislação atual considera teletrabalho ou trabalho remoto a prestação de serviços fora das dependências da empresa, de maneira preponderante ou não, mediante utilização de tecnologias de informação e comunicação.
A CLT ainda esclarece que o comparecimento às dependências do empregador, mesmo de forma habitual, para atividades específicas que exijam a presença do empregado não descaracteriza automaticamente o teletrabalho.
Por isso, modelos híbridos podem continuar enquadrados juridicamente como teletrabalho, dependendo de como a prestação de serviços foi estruturada.
Também é preciso diferenciar uma convocação eventual para reunião, treinamento ou determinada atividade presencial da efetiva alteração definitiva do regime de trabalho.
Embora a regra geral permita que o empregador determine o retorno, existem situações nas quais simplesmente afirmar que “a empresa pode mandar voltar” é insuficiente.
É recomendável verificar com atenção casos em que não foi respeitado o prazo mínimo de 15 dias, não houve o correspondente aditivo contratual, existe cláusula contratual específica sobre trabalho remoto, há norma coletiva ou regulamento interno mais favorável, o empregado possui deficiência ou filho pequeno abrangido pela prioridade prevista na CLT, existem condições médicas relevantes, o retorno envolve mudança da localidade prevista no contrato ou há indícios de que a medida esteja sendo aplicada de maneira discriminatória ou como forma de retaliação.
O poder de organização da empresa existe, mas continua submetido à legislação trabalhista, às condições válidas do contrato e às demais proteções aplicáveis ao trabalhador.
Essa atitude exige bastante cuidado.
Mesmo quando o trabalhador considera a determinação injusta, simplesmente deixar de comparecer ao trabalho pode criar um novo problema, porque uma ordem empresarial válida deve ser cumprida.
Dependendo das circunstâncias, recusas injustificadas podem gerar medidas disciplinares. Por isso, antes de adotar uma decisão unilateral, o trabalhador deve procurar documentar a situação e compreender se realmente existe alguma irregularidade na convocação.
Entre os documentos que podem ser importantes estão:
Quando existir uma razão concreta para contestar a mudança, é normalmente mais seguro formalizar a situação e buscar orientação antes de simplesmente deixar de cumprir a determinação empresarial.
Em princípio, a regra do artigo 75-C, § 2º, trata da alteração do regime de teletrabalho para o presencial, sem limitar essa possibilidade apenas aos empregados que anteriormente já trabalharam presencialmente.
Ainda assim, contratos celebrados desde o início como trabalho remoto merecem atenção especial quanto à localidade da contratação, às cláusulas estabelecidas e às condições concretas oferecidas no momento da admissão.
Por exemplo, contratar alguém que reside em outra cidade expressamente para trabalho remoto e posteriormente exigir presença física em localidade diferente daquela prevista contratualmente pode envolver questões adicionais que não se resolvem apenas com a aplicação isolada da regra dos 15 dias.
A discussão sobre home office não deve ser reduzida à pergunta “a empresa pode ou não pode obrigar o empregado a voltar?”.
A resposta geral é que a empresa pode determinar o retorno ao regime presencial, mas cada caso precisa ser confrontado com pelo menos quatro elementos: o que consta do contrato, qual é a localidade contratual, quais normas coletivas ou internas existem e se o trabalhador possui alguma situação específica juridicamente relevante.
É justamente nessa análise que surgem as diferenças entre uma alteração regular do regime de trabalho e uma situação que pode justificar questionamento.
A CLT não estabelece, como regra geral, que o empregador tenha de demonstrar um motivo excepcional para determinar o retorno ao presencial. Isso não impede que a justificativa e a forma como a medida foi aplicada sejam relevantes em situações nas quais exista alegação de discriminação, retaliação, descumprimento de regulamento interno ou outra irregularidade.
Sim. A CLT estabelece um prazo mínimo. Nada impede que a empresa conceda período maior de adaptação. Normas coletivas, contratos ou regulamentos internos também podem estabelecer regras específicas mais favoráveis.
Pode existir regime híbrido, desde que respeitadas as condições contratuais e legais aplicáveis. A presença habitual na empresa para determinadas atividades não elimina automaticamente a caracterização do teletrabalho.
O simples decurso do tempo não transforma, por si só, o teletrabalho em uma condição que jamais possa ser alterada. A CLT prevê expressamente a possibilidade de retorno ao presencial. Contrato, norma coletiva, regulamento empresarial ou circunstâncias específicas do caso, entretanto, podem produzir uma análise diferente.
Se o próprio empregado optou por trabalhar remotamente fora da localidade prevista no contrato, a CLT estabelece, como regra, que o empregador não responde pelas despesas decorrentes do retorno, salvo disposição diferente entre as partes.
Fundado em 2007, o Ortega & Ieiri Advogados atua na área trabalhista e previdenciária e possui três unidades físicas de atendimento na Grande São Paulo: Avenida Paulista, Tatuapé e Centro de Guarulhos. O escritório produz conteúdo jurídico informativo para auxiliar trabalhadores a compreender situações concretas que podem ocorrer durante o contrato de trabalho.
Quando a determinação de retorno ao trabalho presencial envolver mudança de cidade, condição médica, filho pequeno, cláusula específica de home office, norma coletiva ou outra circunstância particular, a análise do contrato e dos documentos do trabalhador pode esclarecer se a empresa está exercendo regularmente seu poder de organização ou se existem limites jurídicos aplicáveis ao caso.
A pesquisa societária revela que determinada pessoa integrou a empresa executada, mas deixou formalmente o quadro social há alguns anos. Surge então uma dúvida muito comum na execução trabalhista: esse ex-sócio ainda pode responder pelo crédito do reclamante?
A resposta não depende simplesmente de verificar se transcorreram dois anos desde a retirada.
O artigo 10-A da CLT estabelece critérios próprios para a responsabilidade do sócio retirante. Para examinar corretamente a questão, é necessário cruzar pelo menos quatro datas: o período do contrato de trabalho, o período de participação societária, a data da averbação da retirada e a data do ajuizamento da reclamação.
Além disso, a lei estabelece uma ordem de preferência entre empresa, sócios atuais e sócios retirantes e prevê tratamento diferente quando houver fraude na alteração societária.
Para o advogado do exequente, portanto, localizar um ex-sócio é apenas o começo da análise.
O artigo 10-A foi incluído na CLT pela Reforma Trabalhista e prevê que o sócio retirante responde subsidiariamente pelas obrigações trabalhistas relativas ao período em que figurou como sócio, desde que a ação tenha sido ajuizada até dois anos depois da averbação da alteração contratual.
A própria norma estabelece a seguinte ordem:
Há ainda uma exceção importante. Comprovada fraude na alteração societária, o sócio retirante poderá responder solidariamente com os demais.
Esse dispositivo precisa ser lido com cuidado porque contém questões diferentes que, na prática, acabam sendo confundidas.
Uma coisa é saber quais obrigações podem atingir o ex-sócio.
Outra é verificar se a reclamação foi ajuizada dentro do período legal.
Há ainda uma terceira questão: em que momento da execução o patrimônio do retirante poderá ser alcançado.
São análises relacionadas, mas não idênticas.
Talvez este seja o ponto mais importante.
O artigo 10-A da CLT não determina que o ex-sócio seja incluído no polo passivo dentro de dois anos da sua retirada.
A redação legal utiliza outro marco: a ação deve ter sido ajuizada até dois anos depois de averbada a modificação do contrato social.
Isso produz consequências práticas relevantes.
Imagine que um sócio tenha sua retirada averbada em 15 de março de 2024.
Se a reclamação trabalhista foi ajuizada em 10 de março de 2026, o requisito temporal previsto no artigo 10-A, em princípio, está atendido. O fato de a execução somente alcançar esse ex-sócio anos depois não significa, por si só, que sua responsabilidade tenha desaparecido.
Situação diferente ocorreria se a ação tivesse sido ajuizada depois de encerrado o biênio legal.
O TST já analisou casos utilizando justamente a data do ajuizamento da reclamação como referência para aferir a incidência da limitação temporal. No RR-103300-08.1998.5.02.0441, por exemplo, foi considerada a data da distribuição da ação em confronto com a data da retirada societária.
Há também precedente do TST em que se admitiu o redirecionamento da execução contra sócios retirantes porque a reclamação havia sido ajuizada quando ainda não havia transcorrido o período previsto no artigo 10-A.
Portanto, antes de excluir um ex-sócio da investigação porque sua retirada ocorreu há muitos anos, é necessário voltar ao início do processo e conferir quando a ação foi proposta.
Outro cuidado está na identificação do momento em que começa a correr o prazo.
A CLT fala expressamente em alteração averbada.
O Código Civil trabalha com lógica semelhante. O artigo 1.003, parágrafo único, e o artigo 1.032 atribuem consequências jurídicas específicas à averbação da modificação societária. O artigo 1.032, inclusive, disciplina a responsabilidade pelas obrigações anteriores à retirada e a situação em que a correspondente averbação não é realizada.
Na prática, isso significa que a pesquisa não pode se limitar à informação cadastral atual da empresa.
É necessário obter o histórico societário.
Uma ficha cadastral simplificada pode mostrar quem são os sócios hoje, mas não necessariamente esclarecer:
Em execução, essas informações devem ser colocadas em uma linha do tempo.
O artigo 10-A também estabelece um limite material.
A responsabilidade do retirante recai sobre obrigações trabalhistas relativas ao período em que figurou como sócio.
Isso exige o confronto entre o contrato de trabalho e a participação societária.
Considere, por exemplo, um empregado que trabalhou de 2020 a 2025.
Um determinado sócio ingressou na sociedade em 2021 e saiu regularmente em 2023.
Não basta concluir que ele integrou a empresa durante parte do contrato. Será necessário identificar quais obrigações discutidas no título executivo guardam relação com o período de sua participação societária e quais são posteriores.
Essa análise pode se tornar particularmente importante quando o título contém parcelas sucessivas, diferenças salariais, horas extras, depósitos de FGTS ou outras verbas distribuídas por vários anos.
O simples valor total da execução não resolve essa questão.
Mesmo quando preenchidos os requisitos temporais, o artigo 10-A qualifica a responsabilidade do ex-sócio como subsidiária.
Primeiro responde a empresa.
Depois, os sócios atuais.
Somente então aparecem os sócios retirantes.
Para a advocacia do exequente, isso não significa necessariamente que seja preciso esperar indefinidamente por pesquisas absolutamente exaurientes antes de sequer suscitar a responsabilidade dos retirantes. Significa, porém, que a estratégia processual precisa respeitar a posição subsidiária que a lei lhes atribuiu.
Há precedente particularmente interessante do TRT da 2ª Região sobre esse ponto.
No processo nº 1000109-89.2016.5.02.0087, a 9ª Turma admitiu que o incidente de desconsideração da personalidade jurídica prosseguisse também em relação aos sócios retirantes, preservando, contudo, a ordem de preferência do artigo 10-A no momento da responsabilização patrimonial. A solução buscou concentrar os atos processuais sem eliminar o benefício de ordem conferido aos retirantes.
É uma distinção importante.
Uma coisa é permitir que o ex-sócio participe do incidente e exerça contraditório.
Outra é autorizar imediatamente a constrição de seu patrimônio, ignorando os responsáveis que legalmente o antecedem.
A CLT determina, no artigo 855-A, a aplicação ao processo do trabalho do incidente de desconsideração da personalidade jurídica previsto nos artigos 133 a 137 do CPC.
Isso reforça algo que considero importante na prática da execução: o IDPJ deve ser preparado como um verdadeiro incidente probatório.
No caso do sócio retirante, o pedido deveria indicar claramente:
Quanto mais clara for essa cronologia, menor a possibilidade de transformar a discussão em uma sucessão de petições sobre datas que poderiam ter sido demonstradas desde o primeiro requerimento.
Isso se relaciona com uma orientação mais ampla que já desenvolvi ao tratar da investigação patrimonial: a execução trabalhista não começa no SISBAJUD. Antes de formular pedidos de constrição, vale reconstruir o histórico societário e econômico da empresa.
Aqui a situação muda significativamente.
O parágrafo único do artigo 10-A estabelece que o sócio retirante responderá solidariamente quando ficar comprovada fraude na alteração societária.
Mas a simples proximidade entre a retirada e o surgimento de dificuldades financeiras da empresa não deveria ser apresentada como prova definitiva.
É preciso investigar.
Alguns elementos podem justificar aprofundamento, como:
Nenhum desses elementos deve ser analisado isoladamente.
O objetivo é reconstruir os fatos e verificar se houve uma alteração societária efetiva ou apenas uma modificação formal destinada a afastar patrimônio ou responsabilidade.
Quando houver prova suficiente da fraude prevista no parágrafo único do artigo 10-A, a própria natureza da responsabilidade deixa de ser a mesma, porque a lei prevê solidariedade.
Uma das dificuldades na investigação patrimonial é identificar situações em que o sócio deixa formalmente o quadro societário, mas continua exercendo poderes de administração.
A alteração contratual registrada na Junta Comercial demonstra uma modificação formal. Entretanto, ela nem sempre esclarece quem efetivamente permaneceu conduzindo os negócios da empresa.
Nesse contexto, uma ferramenta particularmente relevante é o Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional (CCS-Bacen), mantido pelo Banco Central e acessível ao Poder Judiciário.
O CCS reúne informações sobre relacionamentos de pessoas físicas e jurídicas com instituições financeiras, incluindo a identificação de representantes legais e procuradores, bem como as datas de início e encerramento dos vínculos.
Diferentemente do SISBAJUD, utilizado também para ordens de bloqueio de ativos financeiros, o CCS possui finalidade essencialmente cadastral e investigativa. Não informa saldos, valores disponíveis ou movimentações bancárias.
Sua utilidade, nesse contexto, está em revelar quem aparece formalmente autorizado a representar uma empresa perante determinada instituição financeira e em qual período essa representação esteve registrada.
Imagine a seguinte situação hipotética.
Um sócio tem sua retirada da empresa averbada na Junta Comercial em janeiro de 2023.
A empresa continua funcionando, mas, posteriormente, encerra suas atividades sem satisfazer os créditos trabalhistas.
Durante a execução, o advogado solicita uma consulta ao CCS, incluindo o detalhamento dos representantes vinculados aos relacionamentos bancários da executada.
O resultado revela que aquele antigo sócio permaneceu cadastrado como procurador ou representante das contas bancárias da empresa até dezembro de 2025.
A informação não prova, isoladamente, que ele tenha efetivamente movimentado os recursos ou continuado administrando a sociedade.
Entretanto, estabelece uma divergência que merece investigação: se o sócio deixou formalmente a empresa em janeiro de 2023, por que permaneceu vinculado à representação bancária por quase três anos?
A resposta pode ser perfeitamente legítima, como no caso de um mandato que não foi oportunamente cancelado ou de poderes de representação mantidos por razões administrativas.
Mas também pode revelar que a retirada societária não correspondeu à realidade empresarial.
A questão central deixa de ser apenas quando o sócio saiu da empresa e passa a envolver quem efetivamente permaneceu exercendo poderes de gestão.
Sim, desde que suas informações sejam interpretadas em conjunto com outros elementos probatórios.
A permanência de poderes bancários após a retirada formal é um indício potencialmente relevante, sobretudo quando acompanhada de circunstâncias como:
Nessas situações, a consulta ao CCS pode contribuir para demonstrar que a alteração societária foi apenas formal e que o antigo integrante continuou atuando como administrador ou sócio de fato.
Isso possui consequências jurídicas importantes.
O parágrafo único do artigo 10-A da CLT estabelece a responsabilidade solidária do sócio retirante quando comprovada fraude na alteração societária.
Assim, quando houver elementos concretos de continuidade da gestão após a retirada, a investigação não deve se limitar à responsabilidade subsidiária ordinariamente atribuída ao ex-sócio.
Pode ser necessário examinar a existência de fraude societária e a eventual aplicação da responsabilidade solidária prevista na própria CLT.
Para o advogado do reclamante, a medida deve ter finalidade probatória definida.
Em vez de requerer genericamente uma pesquisa bancária, pode ser mais produtivo demonstrar ao juízo a necessidade de verificar quem permaneceu autorizado a representar a pessoa jurídica depois da retirada do sócio investigado.
O requerimento pode buscar:
É importante solicitar expressamente as informações detalhadas de representação, porque uma consulta limitada à identificação das instituições financeiras poderá não atender à finalidade da investigação.
O pedido também deve esclarecer que não se pretende, nessa etapa, acessar movimentações ou saldos bancários, mas identificar vínculos cadastrais relevantes à apuração da responsabilidade patrimonial.
O Conselho Nacional de Justiça reconhece o CCS como ferramenta destinada a auxiliar investigações financeiras mediante requisição das autoridades competentes.
Há uma diferença importante entre permanecer cadastrado como procurador bancário e efetivamente exercer a administração da sociedade.
O primeiro fato pode ser demonstrado pelo CCS.
O segundo depende da análise do conjunto probatório.
Por isso, a consulta não deve ser utilizada como fundamento automático para responsabilizar qualquer pessoa que tenha figurado como procuradora da empresa.
Empregados responsáveis pelo departamento financeiro, contadores, administradores contratados e outros representantes podem manter vínculos bancários sem serem sócios de fato.
Da mesma forma, a existência de uma procuração não demonstra, por si só, fraude na retirada societária.
O valor do CCS está justamente na possibilidade de confrontar informações que normalmente não aparecem juntas.
A Junta Comercial informa quem deixou formalmente a sociedade. O CCS pode revelar quem continuou vinculado à sua representação bancária.
Quando essas informações divergem, surge uma linha de investigação que pode justificar a produção de provas adicionais.
Para a execução trabalhista, essa possibilidade é particularmente relevante porque permite investigar não apenas o patrimônio registrado em nome dos executados, mas também a realidade da administração empresarial.
Uma pesquisa patrimonial bem conduzida deve procurar bens. Mas, em determinadas situações, antes de procurar os bens, é necessário descobrir quem realmente controlava a empresa.
Existe ainda um aspecto que muitas vezes passa despercebido.
Mesmo quando determinado ex-sócio não puder ser responsabilizado pela dívida, sua presença no histórico societário pode continuar sendo extremamente relevante para a investigação.
O CPF desse antigo integrante pode revelar:
É preciso separar duas perguntas.
Esse ex-sócio pode responder pessoalmente pela dívida?
E:
A trajetória empresarial desse ex-sócio revela alguma informação útil sobre o que ocorreu com a empresa executada?
A resposta negativa à primeira não elimina necessariamente a segunda.
Essa distinção é especialmente relevante depois das discussões recentes sobre grupo econômico, sucessão empresarial e redirecionamento da execução. No artigo sobre o Tema 1232 do STF, examinei justamente a necessidade de transformar relações empresariais aparentes em fatos juridicamente demonstráveis.
Também é necessário evitar conclusões excessivamente amplas sobre os pressupostos materiais da desconsideração.
O Tema 42 dos recursos repetitivos do TST foi afetado justamente para definir questões importantes relacionadas à aplicação da teoria maior ou da teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica, ao redirecionamento da execução e à necessidade de regular instauração do incidente.
Nas informações oficiais consultadas e em publicação recente da Revista do TST, a matéria permanece indicada como objeto de uniformização.
Por isso, é recomendável distinguir duas discussões.
O artigo 10-A estabelece limites específicos à responsabilidade do sócio retirante.
Já os pressupostos necessários para a própria desconsideração da personalidade jurídica envolvem debate jurisprudencial mais amplo e não devem ser tratados como se fossem questão definitivamente encerrada em todos os seus aspectos.
Para a advocacia do exequente, essa distinção evita fundamentações genéricas e permite estruturar o incidente com base nos fatos concretos disponíveis.
Quando a pesquisa societária apontar ex-sócios, uma sequência de trabalho possível é:
Essa análise costuma ser mais útil do que simplesmente apresentar ao juízo uma lista de ex-sócios extraída da Junta Comercial.
A responsabilidade do sócio retirante mostra bem por que a pesquisa patrimonial não pode ser reduzida à localização de CPF e CNPJ.
É necessário reconstruir uma história.
Quem integrava a empresa quando o trabalho foi prestado?
Quando saiu?
Quando registrou essa saída?
Quando a ação foi proposta?
Quem permaneceu na sociedade?
O que aconteceu com a empresa depois?
A atividade continuou?
A alteração societária correspondeu à realidade ou existem sinais de fraude?
Somente depois dessas perguntas é possível decidir se o ex-sócio é um responsável patrimonial, uma fonte relevante para a investigação ou simplesmente uma pessoa que já não pode ser atingida pela execução.
Na execução trabalhista, uma boa linha do tempo societária muitas vezes vale mais do que uma sequência de pesquisas patrimoniais realizadas sem conexão entre si.
Daniel G. Ortega, advogado, especialista em execução trabalhista
O Benefício de Prestação Continuada, conhecido como BPC ou BPC/LOAS, garante o pagamento mensal de um salário mínimo à pessoa idosa com 65 anos ou mais ou à pessoa com deficiência de qualquer idade que esteja em situação de baixa renda.
Uma das principais características do BPC é que não é necessário ter contribuído para o INSS. Isso acontece porque o benefício é assistencial, e não uma aposentadoria. Por esse mesmo motivo, o BPC não paga 13º salário e não gera pensão por morte.
Embora idosos e pessoas com deficiência estejam protegidos pelo mesmo benefício, os requisitos não são exatamente iguais. No caso do idoso, o requisito específico é a idade. Para a pessoa com deficiência, é necessário demonstrar um impedimento de longo prazo e passar pela avaliação prevista para o benefício.
Existem duas situações principais.
A pessoa idosa deve:
Não existe exigência de tempo mínimo de contribuição ao INSS.
Assim, uma pessoa que nunca trabalhou com registro, nunca pagou contribuição previdenciária ou contribuiu por pouco tempo pode ter direito ao BPC aos 65 anos, desde que cumpra os demais requisitos.
No caso da pessoa com deficiência, não existe idade mínima nem máxima.
Crianças, adolescentes, adultos e idosos podem receber o benefício quando forem preenchidos os requisitos.
A LOAS considera pessoa com deficiência, para essa finalidade, aquela que possui impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial que, em interação com barreiras, possa dificultar sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.
A lei considera de longo prazo o impedimento que produza efeitos por pelo menos dois anos.
Isso significa que o BPC não depende apenas do nome de uma doença ou de um diagnóstico médico.
Não.
Esse é um ponto importante porque muitas negativas surgem justamente de uma compreensão incompleta do requisito da deficiência.
Uma pessoa pode ter uma doença grave e, ainda assim, ser necessário avaliar quais limitações essa condição efetivamente produz. Da mesma forma, determinadas doenças que aparentemente poderiam ser consideradas menos graves podem produzir limitações muito importantes na vida de uma pessoa específica.
Por isso, a análise não deve considerar apenas o diagnóstico.
São relevantes, por exemplo:
O modelo utilizado para o BPC é justamente mais amplo do que uma avaliação puramente médica.
Não necessariamente.
O conceito utilizado pela legislação do BPC é o de pessoa com deficiência, e não simplesmente o de incapacidade total para o trabalho.
A avaliação considera o impedimento de longo prazo e a forma como ele interage com barreiras que prejudicam a participação da pessoa na sociedade.
Isso é especialmente importante no caso de crianças e adolescentes. Evidentemente, uma criança não precisa demonstrar que está incapaz de trabalhar. A análise deve observar as limitações e restrições de participação compatíveis com sua idade.
Também entre adultos, o simples questionamento sobre se a pessoa consegue ou não executar determinada atividade profissional pode ser insuficiente para avaliar todo o impacto da deficiência.
Para a concessão do BPC à pessoa com deficiência existe uma avaliação multiprofissional, envolvendo aspectos médicos e sociais.
A legislação prevê avaliação médica e avaliação social, e o próprio Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social esclarece que essa análise deve considerar tanto as limitações da pessoa quanto as barreiras enfrentadas em sua rotina e participação social.
Por isso, documentos médicos são importantes, mas não são os únicos elementos que podem ajudar.
Relatórios que descrevam apenas o nome da doença, sem explicar suas consequências, podem oferecer menos informação do que documentos que detalhem:
Documentos escolares, relatórios de acompanhamento terapêutico e outros registros também podem ser relevantes conforme o caso.
A regra legal utilizada para concessão do benefício considera a renda mensal familiar por pessoa igual ou inferior a um quarto do salário mínimo.
Em 2026, o salário mínimo é de R$ 1.621,00. Portanto, um quarto corresponde a R$ 405,25 por pessoa.
O cálculo básico funciona assim:
Por exemplo, se a renda considerada de uma família for de R$ 1.621,00 e o grupo familiar for formado por quatro pessoas, a renda por pessoa será de R$ 405,25.
Mas esse cálculo merece atenção porque nem toda pessoa que mora na mesma residência necessariamente integra o grupo familiar do BPC e nem todo valor recebido entra obrigatoriamente na conta.
Para essa finalidade específica, a legislação considera, desde que vivam sob o mesmo teto:
Isso significa que simplesmente somar a renda de todas as pessoas que moram no imóvel pode produzir um cálculo errado.
Avós, tios, primos, irmãos casados, filhos casados e outras pessoas que eventualmente residam no mesmo endereço não entram automaticamente no grupo familiar definido pela LOAS.
Também não.
Existem rendimentos que a legislação permite desconsiderar.
Um exemplo particularmente importante é o BPC ou benefício previdenciário de até um salário mínimo recebido por pessoa idosa com mais de 65 anos ou por pessoa com deficiência da mesma família, que pode ser excluído do cálculo nas condições previstas em lei.
A própria LOAS permite que mais de uma pessoa da mesma família receba BPC quando cada uma preencher os requisitos.
Também existem outras hipóteses específicas de valores que não entram no cálculo, como determinados rendimentos de estágio supervisionado e aprendizagem.
Por isso, antes de concluir que a família ultrapassa o limite, é importante conferir quem realmente integra o grupo familiar e quais rendimentos devem juridicamente ser considerados.
A renda de um quarto do salário mínimo por pessoa é o parâmetro objetivo previsto na legislação e utilizado na análise administrativa do BPC.
Isso, porém, não significa que qualquer situação acima desse valor possa ser examinada apenas por uma conta matemática.
A própria LOAS prevê a possibilidade de consideração de outros elementos relacionados à situação de vulnerabilidade, e a jurisprudência do STF e do STJ já reconheceu que o critério de um quarto do salário mínimo não deve ser tratado, em todas as situações, como a única forma possível de demonstrar necessidade econômica.
Essa análise exige cuidado e depende das circunstâncias concretas da família. Gastos relevantes com saúde, necessidade de auxílio permanente de terceiros e outras situações de vulnerabilidade podem assumir importância conforme o caso e dentro dos critérios previstos na legislação.
Portanto, uma negativa baseada em renda deve ser analisada individualmente antes de se concluir que não existe direito ao benefício.
Para compreender melhor essa situação, consulte também nosso artigo sobre BPC/LOAS negado por renda familiar superior ao limite legal.
Sim.
A inscrição no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, o CadÚnico, é requisito para concessão, manutenção e revisão do BPC.
Os dados do grupo familiar devem estar atualizados. Atualmente, o cadastro deve ter sido atualizado há no máximo 24 meses, além de conter o CPF dos integrantes da família.
Na prática, é recomendável conferir o CadÚnico antes de fazer o pedido.
Erros na composição familiar, renda desatualizada, mudança de endereço não informada ou inclusão indevida de pessoas podem interferir diretamente na análise.
O cadastramento e a atualização são realizados por meio da rede responsável pelo Cadastro Único, normalmente com atendimento pelo CRAS do município.
A legislação passou a prever registro biométrico para o requerente do BPC ou, nas situações legalmente previstas, para seu responsável.
Segundo as orientações oficiais atualizadas do MDS, a biometria é verificada em bases oficiais aceitas para essa finalidade, sendo recomendável que essa situação também seja regularizada antes do pedido.
Por isso, além dos requisitos relacionados à idade, deficiência e renda, problemas cadastrais e de identificação podem impedir ou atrasar a concessão.
Os documentos variam conforme a situação, mas normalmente é importante organizar:
Nos pedidos por deficiência, também podem ser importantes:
Mais importante do que simplesmente reunir grande quantidade de papéis é apresentar documentos que ajudem a demonstrar a realidade da pessoa e da família.
O benefício é operacionalizado pelo INSS.
O requerimento pode ser feito pelo Meu INSS, pelo telefone 135 e pelos demais canais oficiais disponíveis.
Antes de solicitar, é recomendável verificar principalmente:
A concessão não depende do pagamento de contribuição previdenciária.
Não.
Embora o pagamento seja realizado pelo INSS e o valor corresponda a um salário mínimo, o BPC é um benefício assistencial.
Por isso:
A LOAS prevê revisão periódica das condições que deram origem ao benefício. A legislação também passou a dispensar a avaliação médico-pericial periódica em determinadas situações de impedimento permanente, irreversível ou irrecuperável, ressalvadas hipóteses como suspeita fundamentada de fraude ou erro.
Sim. Não existe idade mínima para o BPC da pessoa com deficiência. No caso de crianças e adolescentes, são analisados a existência do impedimento de longo prazo e seus efeitos sobre atividades e participação social compatíveis com a idade.
Não. O BPC é assistencial e não exige contribuição anterior ao INSS.
Não. O benefício paga um salário mínimo mensal, mas não existe 13º pagamento.
Não. Com a morte do beneficiário, o BPC não se transforma em pensão por morte.
Sim. A legislação permite a concessão a mais de um integrante da mesma família quando cada pessoa preencher os requisitos necessários. Existem ainda regras específicas sobre a exclusão de determinados benefícios de até um salário mínimo do cálculo da renda familiar.
O recebimento de programa de transferência de renda não deve ser confundido automaticamente com impedimento ao BPC. A situação deve ser analisada segundo as regras próprias de composição da renda e acumulação aplicáveis ao benefício.
Não. O laudo é uma prova importante, mas a avaliação da deficiência considera o impedimento de longo prazo, suas consequências e as barreiras enfrentadas pela pessoa. O diagnóstico isoladamente não garante a concessão.
Não necessariamente. É preciso identificar o motivo da negativa. O problema pode estar relacionado à renda considerada, composição familiar, CadÚnico, documentação, avaliação da deficiência ou outro requisito. Somente depois dessa análise é possível verificar se existem elementos para questionar a decisão.
A Ortega & Ieiri Advogados atua nas áreas de Direito Previdenciário e Direito do Trabalho. A sociedade foi fundada em 2007 e mantém unidades físicas de atendimento na Avenida Paulista, no Tatuapé e no Centro de Guarulhos.
Nos pedidos de BPC, a análise individual pode ser especialmente importante quando existem dúvidas sobre a caracterização da deficiência, a composição da renda familiar ou os motivos utilizados pelo INSS para negar o benefício.
Quem recebeu uma negativa ou deseja compreender se preenche os requisitos pode buscar orientação jurídica para que sua situação concreta e seus documentos sejam avaliados antes da definição das providências cabíveis.
Segunda a sexta, das às .
Não é necessário agendar, atendemos por ordem de chegada.
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